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E a nossa jornada de afeto na Terra se encerrou

 Pessoal, boa tarde!


Na madrugada do dia 5 de novembro, a Victória partiu. Ainda estou no processo de assimilar tudo o que aconteceu e lutando para não sucumbir diante da dor imensurável que sinto. É duríssimo aceitar que nunca mais verei a minha filhota me receber a cada vez que eu chegar em casa.

Abaixo, a carta que escrevi em homenagem à Bibi no domingo passado.



Carta para uma filha do amor
 
 
Filha, boa tarde! 
 
    Fiquei de enviar uma mensagem para você ontem, mas eu não consegui alinhar coração e mente para lhe deixar umas palavras de carinho.
    Sabe... eu não sou escritora, mas resolvi me arriscar a expressar a nossa experiência como mãe humana e filha canina. Mas, antes disso, eu quero dizer que você foi um ser que doou (e inspirou) afeto a quem teve o privilégio de conviver com a sua “pessoa”. Sim... “pessoa”, hehe. Apesar de ser uma doguinha, em certos momentos, pensava que era humana. Comia a sua raçãozinha, mas azucrinava para ganhar a refeição dos humanos. “Como assim? Vão papar churrasco e eu não vou ganhar nenhum pedaço?”... “Ei... me dá um pedaço deste x-salada, mãe!”, dizia em gestos e olhares.
    Você era uma Lhasa Apso pequenina, mas, por vezes, acreditava ser uma Pitbull ou Rottweiler de tão imponente que se mostrava quando queria defender seu espaço de quem não confiava.
Era o alarme da casa (tanto quando morávamos na avenida São Francisco de Paula como agora... na rua Trinta e Oito). Fazia o seu barulho. Bastava alguém apontar no portão que você latia alto. E se alguns doguinhos resolvessem fazer arruaça em frente ao nosso imóvel, dava o seu jeito de mostrar o quão incomodada e doidinha ficava. Até com o mano Manteguinha você se estranhava e travava rusgas que não permitiam que compartilhassem momentos juntos no pátio. Por ambos serem territorialistas, o “caldo entornava”. Enfim... “coisas de Bibi”.
    Voltando no tempo um pouco... lembra de quando nos conhecemos em Curitiba? Era 16 de dezembro de 2011, eu tinha 27 anos e havia saído de uma fase tensa da minha vida. Fui ao Shopping Jardim das Américas e, ao passar por um petshop, me apaixonei pelos(as) cachorrinhos(as) que lá estavam. Haviam três. Você, seu irmão (de quem não me recordo o nome) e sua irmã Lady Gaga.
Em um primeiro momento, acabei me afeiçoando à Lady Gaga e seus olhinhos de cores diferentes. Ela tinha um perfil mais calmo. Porém, depois de uns minutos, resolvi voltar meus olhos para a filhote mais agitada. Ou seja, você.
    Saí do petshop com uma doguinha de dois meses e 15 dias no colo. Quem me conhece, sabe o quanto enalteço a necessidade da adoção de animais (e não da compra). Contudo, não pude resistir a você e à sua doçura misturada com personalidade determinada. Liguei para a vovó Tânia Hernandes e disse que eu tinha uma surpresa para apresentar quando eu chegasse em casa. Filha... você era tão pequeninha que cabia na palma da minha mão (dá uma olhada na foto que eu anexei). Uma bolinha de pelos com perninhas serelepes e capacidade de puxar a prima Helena Vieira pelos cabelos para que acordasse e não dormisse até tarde.
    Passado cerca de um mês depois de nos conhecermos, em janeiro de 2012, eu, você, Pluma e Miriam (suas outras irmãs) viemos morar em Pelotas. De lá para cá, vivemos de tudo um pouco. Recebemos visitas. Fomos visitas. Passeamos (queria ter feito mais saidinhas com você, mas nem sempre meu psicológico, físico ou financeiro permitiu... me perdoe).
    Como em toda relação de mãe e filha, nós tínhamos umas “peleias” em certos momentos. Você fazia umas travessuras que me deixavam doidinha e preocupada. Mas o amor imenso de uma pela outra sempre prevalecia e eu procurava dar o afago e carinho que a senhorinha pedia.
    Nos últimos tempos, eu notei que você andava mais quietinha e dorminhoca durante o dia. A disposição para caminhadas diminuiu. A visão, também. Entendi que se tratava do efeito da passagem dos anos em seu corpinho.
    Até o último momento em que estivemos juntas, diante da fragilidade do seu estado de saúde, procurei lhe aninhar em meus braços e proteger. Típico de mãe, não é?
    Ai, filha... dói tanto não lhe ter aqui comigo. Queria dar uma “afofada” na sua carinha e proporcionar aquele colinho sobre as minhas pernas esticadas que você adorava.
    Para cada canto da casa que olho, eu lembro de você. Parece que, de imediato, a verei surgir. Não terei mais o lixo do banheiro e o do meu local de estudos revirados, mas não terei você. Minhas frutas, legumes e verduras permanecerão íntegros na cesta (sem suas tradicionais bocadinhas na espreita), mas não terei você. Minha casa restará sem o odor do xixi que você fazia pelo chão, mas não terei você. Eu poderei deixar uma bacia higiênica à livre disposição da Mãezinha, mas não terei você. Comeremos à mesa sem lhe ter arranhando nossas pernas e azucrinando para tentar alcançar os pratos, mas não terei você. Minhas almofadas e sofá estarão sempre limpos, mas não terei você.
    Obrigada pelas sonecas que tiramos juntas no sofá! Obrigada pelos sorrisos soltos que dei graças a você! Obrigada pela companhia durante meus momentos de estudo e trabalho em home office! Obrigada por cada acolhimento efusivo empreendido nas vezes em que adentrei em casa! Isso não tem preço e, somente um ser iluminado e inocente como você, poderia despender amor incondicional a quem quer que seja.
    Novembro sempre foi um mês ansiosamente esperado por mim. No entanto, você partiu ontem, dia 5, uma semana antes do meu 38º aniversário. O brilho se apagou. Não há o que celebrar. Espero que, ao menos, o seu sofrimento físico e psíquico tenha cessado e você possa seguir sua escala evolutiva em paz e com serenidade. Se errei ou não lhe ofereci uma vida mais plena, peço desculpa. Dentro da minha realidade cotidiana, tentei ser a melhor mãe humana possível.
    Minha Popô. Minha Bibi. Minha Vic. Minha Victória. Que Deus lhe receba em sua glória! Aproveita e brinca muito com a Marie, a Pluminha e todos(as) os(as) doguinhos(as) que aí estejam para lhe recepcionar. Se der, dá um cheiro na vó Augustina - ela gostava muitão de você – e diz que estou com saudade. A mamãe seguirá a vida aqui na Terra juntos aos seus irmãos humanos (Alonzo e Valquíria), não humanos (Mãezinha e Manteguinha) e demais familiares que a amavam.
    Choro sua partida, mas agradeço aos céus pela oportunidade de ter dividido a vida com você. Um dia, a gente se encontrará novamente. Te amo, pinguinho!
 
 
 
Com amor,
Suélen
 
 

 

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